terça-feira, dezembro 20, 2005

um quarto

Lembro-me de noites grudados. De teu rosto acariciando a minha face. De teus cabelos iluminados à luz do luar. Apenas uma música de fundo e um fundo azul. Respiração ofegante. Massagem interminável. Rezávamos para a noite não se acabar e o momento que outrora nos pertenceu continuar para todo o sempre. Insolente eu fui em te deixar partir. Inocente as tuas palavras de adolescente me partiram o coração. E eu fui. E aqui estou, me lembrando de novo dessas memórias danadas que insistem em me perseguir. Foi bom, muito bom enquanto durou. Aquele quarto não tem mais vida hoje em dia. A minha vida é só um quarto de alegria.

domingo, outubro 30, 2005

Me dátua mão

Me dátua mão
Quero te levar aos confortos da terra nova
unirmos-nos em um
dois amantes entrelaçados
pela beira do pecado
Me afogar em teus lábios
encarar o mundo em devaneio
um sim um não
o que importa é que estais aqui agora
e dizerte-ei nos confins do vernáculo
quão desejada sua presença se faz
das púrpuras cores do vinho do teu suspiro
ao enveredar de longas tardes te darei
venha até mim que já estou enfeitiçado
por você dormindo ao teu lado
endagarei as doces curvas do formato
em barcarei neste sonho esperado
temperado
e enfim murmurar frasetas do dia-a-dia
o momento se faz presente
Sem aviso prévio
Quando aprendestes a amar?
Estendo meus cumprimentos
Me dátua mão.

terça-feira, outubro 11, 2005

O Coração partido pegou as lágrimas dos olhos emprestadas pra sangrar

Por que estou a escrever? Se queria te tocar, se queria te beijar. Palavras engavetadas só afluem na minha pena, não se tornam em poema, pois não ouso recitar. Essas mesmas palavras queriam se calar na tua boca. Viver uma paixão louca. Unir nossos mundos mágicos, transformar a vida em palco. De comédia. E de tragédia? Tragédia é acordar e ver que tudo não passou de um sonho minha flor. E olhando para o homem no espelho eu percebo. Que meu coração pegou as lágrimas dos olhos emprestadas pra sangrar.

Surto

Será escondido eu estava que ninguém me acha. Traduzo palavras, Listen! No silêncio esse verbo não se encaixa. Tic Tac! Tic Tac! Bem melhor assim, o meu tempo se espassa. Escassa hora de lazer. Escrever, para não morrer. Rimar, para não chorar. Misturariei letras palavrizadas, entonizadas em tom maior, dó menor. Sossegalejo em me encontrar de novo atrás dessas danadas. Agora que ninguém me acha, me acharei atrás de celas psiquiátricas. Esquizofrenizando, o nada.